Foto: Mark Stebnicki/Pixels

Segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento de 1,86% nos preços da indústria, em comparação ao mês anterior. O levantamento analisa a variação nos preços, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. No ano, o aumento acumulado no indicador chegou a 23,55% e, em 12 meses, a 33,08%.

“A demanda aquecida do comércio internacional e a desvalorização do Real frente ao dólar vêm impactando os preços industriais no mercado interno. O movimento dos preços do minério de ferro e do óleo bruto do petróleo, por exemplo, afeta de forma quase direta os setores de químicos, de refino e de metalurgia. No setor alimentício, as exportações de commodities, como soja e milho, pressionam para cima os custos das rações para animais e, por consequência, das carnes”, esclarece Manuel Souza Neto, gerente do Índice de Preços ao Produtor.

A fabricação de produtos alimentícios teve a principal influência no resultado geral do indicador em agosto (0,51 ponto percentual). Na comparação com o mês anterior, os alimentos tiveram alta de  2,19% –  a sétima taxa positiva observada ao decorrer do ano (a única negativa foi a de junho, em 0,14%) e a segunda maior de 2021, perdendo, em números, apenas para os 2,66% registrados em abril. No ano, o segmento acumula alta de 12,47%. A elevação dos preços das carnes e miudezas de aves congeladas está entre os principais destaques sobre o índice da indústria alimentícia no período. 

“A elevação dos preços foi impactada tanto pelo aumento de custo na criação dos animais quanto pela maior demanda. Além das exportações, também houve o impacto do mercado interno, com a volta às aulas presenciais e a tendência de substituição da carne bovina pela de frango”, ressalta Souza Neto. Segundo ele, a combinação de entressafra e fatores ligados ao clima contribuiu para aumentar os preços de alguns alimentos.

A atividade de refino de petróleo e produtos de álcool teve aumento pelo quarto mês contínuo (1,91%). Em comparação ao mês de julho (3,27%), o setor sofreu desaceleração. Com o cenário inflacionário atual, os custos para essa indústria acumulam 47,03% de alta neste ano. Gasolina, exceto para aviação, óleo diesel e álcool etílico exerceram maior influência sobre os  preços do setor. Já na indústria química, os preços tiveram alta de 2,82%, acumulando variação de 37,34% no ano e de 50,49% nos últimos 12 meses.

“Esses resultados estão ligados principalmente aos preços internacionais, inclusive de diversas matérias-primas, importadas ou não, como a nafta. Um dos maiores responsáveis pelo aumento é o grupo dos fertilizantes, que teve alta de 6,93% no mês, acumulando 65,98% no ano e 73,63% nos últimos 12 meses. Esses dois acumulados são os maiores em toda a série”, afirma Souza Neto.

Outro destaque no mês, a metalurgia, teve alta de 2,58%, sua décima quarta taxa positiva consecutiva. O setor já demonstra o terceiro maior acumulado no ano (40,59%) e o segundo nos 12 meses (56,98%).

“Os resultados dos últimos meses estão ligados ao comportamento dos grupos siderúrgicos e de materiais não ferrosos (cobre, ouro e alumínio), que têm comportamentos de preços distintos. O primeiro é afetado pelos preços de minério de ferro e pela variação do dólar frente ao real, além da recomposição de estoques na cadeia consumidora. No segundo grupo, os valores dos materiais não ferrosos estão vinculados às cotações das bolsas internacionais”, concluiu Souza Neto.

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