Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, registrou alta de 0,87% em agosto, após ficar em 0,96% no mês anterior. Com o resultado, puxado principalmente pelo custo dos combustíveis, o índice teve a maior alta para o mês desde 2000, quando alcançou 1,31%.

No acumulado do ano, o IPCA alcançou os 5,67%. Já nos últimos doze meses, o índice chegou aos 9,68%. Os resultados afastam ainda mais a inflação da meta seguida pelo Banco Central para o ano corrente – de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos (entre 2,25% e 5,25%). 

Segundo dados do IBGE, o índice foi puxado principalmente pelos combustíveis: com alta de 2,8% na gasolina, 4,5% no etanol e 1,79% no óleo diesel. Oito dos nove grupos de produtos e serviços analisados na pesquisa sofreram aumentos, com destaque para os transportes (1,46%).

“O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%”, afirmou o analista de pesquisa do IBGE, André Filipe Guedes Almeida.

Além disso, o índice também indicou alta nos setores de habitação (0,68%), com destaque para energia elétrica (1,10%), gás encanado (2,70%) e gás de botijão (2,40%) – apesar da desaceleração em comparação a julho. Ainda segundo o analista da entidade, o resultado foi influenciado pelo reajuste na bandeira tarifária vermelha patamar 2 nas contas de luz, que adiciona R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos.

O grupo Alimentação e Bebidas foi o segundo maior responsável pela alta no índice. Segundo o IBGE, o setor subiu de 0,78% para 1,63% – com destaque para batata-inglesa (19,91%), café moído (7,51%), frango em pedaços (4,47%), frutas (3,90%) e carnes (0,63%). Já a cebola e o arroz tiveram queda de 3,71% e 2,09%, respectivamente.

Apesar da desaceleração na comparação com os resultados de julho, o índice superou as estimativas do mercado – que esperava alta em torno de 0,71%, de acordo com a Reuters. 

[email protected]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *