Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central do Brasil vem realizando, desde 2020, estudos para a implementação do real digital no país. A autarquia analisa quais são os melhores caminhos para a estruturação da moeda digital brasileira. Segundo estimativas, o recurso deve se tornar realidade entre 2022 e 2023.

É importante, entretanto, enfatizar que o real digital não se assemelha ao bitcoin. Para o BC, o bitcoin é classificado enquanto criptomoeda associada a ativos financeiros, logo não segue os manuais econômicos em suas funções monetárias (como reserva de valor, unidade de conta e meio de troca). Além disso, o real digital terá sua emissão centralizada exclusivamente pela autarquia, sendo assim uma Central Bank Digital Currency (CBDC). Dessa forma, o BC se encarregará de acompanhar as transações realizadas pelos players do Sistema Financeiro Nacional com o novo recurso.

De acordo com dados da autoridade monetária nacional, o volume de dinheiro depositado em conta-corrente, sem remuneração pelos bancos, foi de R$ 333 bilhões no último mês de junho. Somado a outras formas de liquidez, como compra e recompra de ativos com pagamento de juros e títulos públicos federais, o valor chega aos R$ 8,9 trilhões. Desse total, apenas 3% – R$ 283 bilhões – circulou na forma de papel-moeda. Além disso, esse cenário é reforçado ainda mais por iniciativas de modernização da economia brasileira, como o PIX e o Open Banking.

O BC estima ainda que a moeda digital poderá ser utilizada em transações do varejo, seja on ou offline, e terá padrões de resiliência de cybersecurity equivalentes aos dos já utilizados no mercado financeiro. Segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), outros 55 países também estudam a implementação de CBDCs – incluindo as principais economias do mundo, como Estados Unidos, China e Japão.

De acordo com o cronograma previsto, a autarquia realizará, até novembro deste ano, seminários para discutir a implementação do recurso. O projeto piloto deve ser inaugurado no segundo semestre de 2022. 

Em entrevista ao Poder360, o coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central, Fabio Araujo, avaliou que o principal objetivo é disponibilizar à população em geral funcionalidades do ecossistema de criptoativos sem os devidos riscos. “Com a CBDC e o Open Banking você pode criar um sistema para que as pessoas consigam ter acesso a smart contracts, dinheiro programável, dar acesso a um meio de liquidação seguro para a internet das coisas. Esse é o mote principal”, disse.

Araújo avaliou ainda que a implementação da moeda digital deve permitir a redução nos gastos públicos com a emissão de papel-moeda, que, segundo ele, corresponde a “mais de 1% do Produto Interno Bruto (PIB)”. “Isso é compatível com o que outros países gastam. Mas, se conseguir reduzir à metade o uso, dar mais uma ferramenta de acesso a mecanismos digitais e as pessoas aderirem, vai ter economia de 0,5% do PIB, por exemplo. É uma economia importante e isso aumenta a eficiência”, afirmou.

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