Foto: Daniel Dan/Pexels

O Relatório Focus do Banco Central, divulgado desta segunda-feira (25), apontou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue crescendo, registrando aumento de 8,69% para 8,96% em 2021 e de 4,18% para 4,40% em 2022.

O Banco Central (BC) tem sua meta de inflação estimada em 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Isto significa que as expectativas de inflação já estão bem acima da meta estipulada para este ano.

O aumento do nível de preços tem sido uma realidade não apenas no Brasil, explica o economista-chefe do Denarius, Samuel Durso. Na visão do especialista, “a inflação tem sido uma realidade em diversos países, principalmente, em função dos efeitos que a Covid-19 causou no mercado”. Muitas economias viram sua produção reduzir drasticamente nos piores momentos da crise, o que gerou impactos para a cadeia produtiva como um todo. “Com a retomada das economias em função do avanço da vacinação, em diversos setores, a oferta ainda não se ajustou à demanda, ocasionando aumento nos preços” destaca Durso. 

Para o Produto Interno Bruto (PIB) o boletim trouxe uma queda na projeção, de 5,01% para 4,97% em 2021 e de 1,50% para 1,40% em 2022. No segundo trimestre de 2021, o PIB brasileiro recuou 0,1%, refletindo a desaceleração da economia nacional. “Entre os principais motivos para o ajuste na estimativa do nosso crescimento econômico está a dificuldade de geração de novos postos de emprego, principalmente no mercado formal, e a expetativa de aumento dos juros no mercado interno, o que tende a desestimular o consumo e o investimento” avalia o economista-chefe do Denarius. Além disso, ainda na visão do especialista, “a crise política que ronda Brasília e as incertezas quanto ao impacto da corrida eleitoral de 2022 para a economia brasileira são fatores que ajudam a explicar a desaceleração do nosso crescimento”.

Já a expectativa para a taxa básica de juros (Selic) aumentou de 8,25% para 8,75% a.a. para o fim de 2021 e de 8,75% para 9,50% a.a. para 2022. Tendo em vista que a meta da Selic está, atualmente, em 6,25% a.a. e que ainda existem duas novas reuniões do Comitê de Políticas Monetárias (Copom) em 2021, pode-se concluir que o mercado está esperando aumentos acima de 1% nos próximos encontros. O primeiro deles acontecerá ainda nesta semana e o segundo no início de dezembro.  

Impactado pelos últimos acontecimentos relacionados com a possibilidade de furar o teto de gastos, a projeção do mercado para a cotação do dólar também aumentou. De acordo com o relatório, a expectativa para a moeda norte-americana passou de R$ 5,25 para R$ 5,45 tanto para o final de 2021 quanto 2022. “A depreciação do real frente ao dólar, apesar de beneficiar empresas exportadoras, encarece diversos produtos cotados no mercado internacional, como o petróleo, o que pode gerar ainda mais pressão nos preços do mercado interno, gerando mais inflação” destaca Durso.

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