Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Divulgada hoje (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) apontou que a produção do setor recuou 0,4% de agosto para setembro, quarta queda seguida, acumulando redução de 2,6% nos últimos quatro meses. Devido a tais resultados, a indústria se encontra 3,2% abaixo de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia, e 19,4% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011, quando acumulou avanço de 7,5%.

A produção industrial brasileira encerrou o terceiro trimestre com queda de 1,7% quando comparada ao segundo trimestre.  Já em comparação ao mesmo período do ano passado a retração foi de 1,1%, rompendo uma série positiva que vinha sendo registrada desde o último trimestre do ano passado, quando atingiu 3,4%.

Entre as dez atividades que tiveram resultados negativos destacam-se: segmento de produtos alimentícios, que retraiu 1,3%, e de metalurgia, com redução de 2,5%. Esse segmento, em específico, encontra-se 7,4% abaixo do patamar pré-pandemia. Outros segmentos que tiveram queda na passagem de agosto para setembro foram: couro, artigos para viagem e calçados (-5,5%); outros equipamentos de transporte (-7,6%), bebidas (-1,7%); indústrias extrativas (-0,3%); móveis (-3,7%); e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,7%).

Já entre os que obtiveram alta, destacam-se os produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,5%); outros produtos químicos (2,3%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,0%); e máquinas e equipamentos (1,9%). Outras altas vieram de celulose, papel e produtos de papel (1,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,7%) e produtos do fumo (6,6%).

A categoria bens de capital teve a taxa negativa mais grave (-1,6%) na transição de agosto para setembro. Bens de consumo duráveis (-0,2%) e bens intermediários (-0,1%) também regrediram no período. Do lado do crescimento estão os seguimentos de bens de consumo (0,7%) e semiduráveis e não duráveis (0,2%).

Na comparação com setembro de 2020, a produção industrial recuou 3,9%. As principais atividades que regrediram vieram de produtos alimentícios (-11,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,6%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-18,7%). Dentre as atividades que tiveram números positivos, destacam-se máquinas e equipamentos (14,5%), metalurgia (10,0%) e indústrias extrativas (3,2%). O segmento de impressão e reprodução de gravações (61,5%) também foi positivo.

Para o economista-chefe do Denarius, Samuel Durso, o resultado apresentado pela PIM de setembro evidencia a redução de dinamismo do setor industrial brasileiro. “Em partes, os resultados positivos verificados em períodos anteriores para a indústria devem-se à fraca base de comparação de 2020, muito impactada pela pandemia. A base de comparação para os últimos meses do ano passado, contudo, já se mostra mais forte, trazendo evidências de que o nosso setor industrial tem muitos gargalos a sanar” destaca o especialista. Durso lembra ainda que alguns fatores têm impactado toda a indústria internacional, como a crise no fornecimento de produtos-base para a cadeia produtiva do setor automobilístico, por exemplo.  “Em contrapartida, alguns fatores internos têm atrapalhado a nossa produção, com destaque para o bloqueio da compra de carne pela China e os riscos da produção energética nacional” pondera o economista.

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