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Por Rui Cadete – Sócio Fundador da Rui Cadete Consultores(Contabilidade Estratégica).

O ambiente de negócios no mundo, e em particular no Brasil, tem mudado significativamente, tornando-se mais complexo e competitivo. O avanço tecnológico tem contribuído para alterar hábitos de consumo e o modo como fazemos as coisas, causando um impacto considerável nas relações de trabalho e, consequentemente, nas habilidades e competências necessárias para o novo ambiente. Sabemos o quanto tem se intensificado essa realidade em função da COVID-19. O home office tem ganhado cada vez mais espaço e os negócios eminentemente digitais têm sido impulsionados. Estamos vivenciando uma aceleração exponencial diante de tal realidade. Quem não evoluir e se adaptar terá dificuldade em se manter economicamente útil. Muitos já perderam os seus empregos e esses números permanecem evoluindo, como consequência da transformação digital.

Considerando que 54% dos empregos formais no Brasil são oferecidos pelos micros e pequenos negócios, de acordo com dados do Sebrae, é inegável a importância dessas empresas para a economia nacional. Porém, é alarmante o número de negócios que fecham precocemente. Essa triste realidade precisa ser enfrentada. Embora existam iniciativas de apoio por parte de algumas instituições, a uma enorme parcela desses empreendedores faltam conhecimentos básicos sobre organização, gestão, e finanças, bem como da importância das habilidades para conduzir equipes, realizar melhores negociações e as tão mencionadas soft skills – fundamentais para a sustentabilidade das relações de trabalho, e, consequentemente, dos negócios.
É imprescindível que esse público tenha o devido acesso às informações e orientações para diminuir essa enorme lacuna de conhecimento, que impacta diretamente em suas ações e decisões.

Partindo do princípio de que existe um contador em contato direto com cada empreendedor, faz sentido que se perceba a grande oportunidade que tem a atividade contábil no Brasil. Cabe aos profissionais assumir o papel de educador, atuando como consultor e, como consequência, menos micros e pequenos negócios fecharão de forma tão precoce. Sabemos que esse tema é complexo e desafiador.

Embora cada empreendimento seja atendido por um contador, é de nosso conhecimento que não há efetividade nas soluções para esses negócios, pelo simples fato de que a maioria dos contadores não está devidamente preparada e educada para atuar conforme a necessidade de expansão do escopo dos serviços. Praticar o assessoramento e a entrega de contabilidade consultiva será primordial para a sustentabilidade das organizações.

Aproveitando esse cenário, ao entendermos sua importância estratégica e oportuna, as instituições da área de educação poderão assumir o protagonismo por mudar essa realidade, agregando ao ambiente acadêmico temas mais subjetivos que somam conhecimento para facilitar o pensar e a reflexão, trazendo uma nova mentalidade e ações com maior valor agregado por parte dos agentes facilitadores no ambiente de negócios. Os contadores estão em uma posição extremamente privilegiada, porém, a grande maioria permanece sem as habilidades necessárias para o aproveitamento de tamanha oportunidade.

Acredito que a parceria do universo empresarial e o mundo acadêmico é estratégica para a formação profissional. Mudanças serão necessárias para adaptação do ensino ao novo ambiente dos negócios, que se torna volátil, incerto, acelerado e integrado com soluções tecnológicas em abundância. A automação como proposta de facilitar as operações dos negócios esbarra em profissionais com conhecimento e habilidades desalinhados com a necessidade das organizações, pondo em risco a oportunidade de uma maior qualidade e produtividade dos serviços realizados.

Em um mundo altamente digitalizado, com ações repetitivas sendo realizadas por máquinas, temos a oportunidade de assumir o nosso maior potencial naquilo que somos únicos. Comunicação, relacionamento com sentimentos e emoções que nos são próprias. Intuição e empatia são outros bons exemplos sobre o que acabamos de discorrer. É de fundamental importância exercitarmos e aprimorarmos a nossa inteligência relacional para uma melhor tomada de decisões.

Conscientes da importância da capacitação adequada para os micros e pequenos empreendedores, se faz necessário que os futuros profissionais e os egressos dos cursos de contabilidade adquiram habilidades que facilitem a comunicação ativa, com atenção especial ao ouvir e à compreensão das dores dos empreendedores. Autoconhecimento, capacidade adaptativa, autoconfiança e domínio dos fundamentos técnicos serão fundamentais para que esses profissionais assumam o papel de protagonista que lhe é oportuno – como agentes facilitadores para a transformação do empreendedorismo brasileiro.

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