foto: Karolina Grabowska

Por: Samuel Durso, economista-chefe do Denarius.


Na última terça-feira, dia 21 de setembro, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, iniciou a sua sexta reunião de 2021 do Federal Open Market Committee (Fomc), o equivalente ao Copom no Brasil. Entre os principais resultados do Fomc de setembro está a forte sinalização de que a retirada dos estímulos introduzidos para combater a crise econômica provocada pela pandemia está próxima de ser iniciada. Conhecido com tapering, o processo de retirada dos estímulos econômicos trás consequências diretas para as economias em desenvolvimento, como a brasileira.

Outros destaques da reunião foram as reformulações das expectativas para 2021 da inflação, taxa de desocupação e Produto Interno Bruto (PIB) norte-americanos. Para todos os indicadores houve uma piora nas expectativas do Fed. Atualmente, espera-se um crescimento para a economia dos EUA em 2021 na ordem de 5,9%, redução de 1,1 ponto percentual em relação às estimativas apresentadas pelo órgão em junho, que apontavam um PIB de 7%. A inflação, por sua vez, passou de 3,4% para 4,2%. Por fim, a taxa de desocupação saltou de 4,5% para 4,8%.

Para frear os avanços da crise econômica instaurada em função da Covid-19, o governo norte-americano, no início da crise sanitária, praticamente zerou a taxa básica de juros dos EUA (que está atualmente entre 0% e 0,25% ao ano). Com juros reduzidos, o Fed buscou estimular o consumo e investimento no mercado, gerando maior acesso às fontes de financiamento, e, assim, aumentar o nível de emprego da economia – um dos principais problemas gerados pelas dificuldades impostas pela pandemia.

Para os mercados emergentes, que apresentam um maior risco de investimento, a redução dos juros nos EUA implicou no recebimento de mais capital estrangeiro. Investidores internacionais buscam em países em desenvolvimento a oportunidade de obtenção de maior retorno, quando economias sólidas como os EUA reduzem a remuneração pela capitação de recursos. Em períodos passados, como em 2013, a retirada de estímulos econômicos nos EUA causou efeitos danosos para as economias emergentes, gerando desvalorização cambial e inflação.

Pelas diretrizes apresentadas pelo Fed na quarta-feira, 22 de setembro, é possível que a taxa de juros da economia norte-americana volte a subir ainda em 2021. O Fomc possui outras duas reuniões agendadas para o ano – uma a ser realizada nos dias 2 e 3 de novembro e outra programada para os dias 14 e 15 de dezembro. Na visão de Jerome Powell, presidente do Fed, o tapering pode acontecer mesmo que os dados para o nível de emprego da economia norte-americana ainda estejam abaixo do patamar desejado.

Divulgado na primeira sexta-feira de cada mês, o payroll apresenta o saldo de empregos gerado pela economia dos EUA, desconsiderando o setor agrícola. No último relatório divulgado para o país, referente ao mês de agosto, apesar da geração de emprego ter sido positiva – na ordem de 235 mil novos postos – ela veio abaixo das expectativas do mercado, que era de 750 mil para o período. O gap entre a expectativa e realidade gerou a sensação no mercado de que o tapering seria iniciado apenas no decorrer de 2022. Pelas últimas declarações do Banco Central norte-americano, contudo, será preciso apertar os cintos antes do previsto.

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