Foto: Jcomp/Freepik

Com a crise nas bacias hídricas das regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde localizam-se as principais usinas hidroelétricas do país, aprofundou-se o debate acerca da diversificação da matriz geradora de energia no Brasil, que, de acordo com levantamento do Balanço Energético Nacional Interativo, tem 64,9% de toda capacidade energética disponível na modalidade hidráulica, em detrimento das gerações por gás natural (9,3%), eólica (8,6%) e biomassa (8,4%). 

O comprometimento da geração hidráulica levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a acionar usinas termelétricas para suprir a demanda. Essa energia, porém, é mais cara e causa maiores danos ao meio ambiente. 

Contudo, mesmo com a operação adicional das termelétricas, o ONS informou que a atual capacidade nacional de geração de energia elétrica será insuficiente para atender à demanda a partir de outubro. Segundo a entidade, o baixo volume de chuvas em agosto agravou o cenário também na região sul do país – fazendo com que o sistema tenha um déficit de 5,5 gigawatts a partir de setembro. Isso acontece em meio à pior seca na região centro-sul do Brasil desde 1931. Ao mesmo passo, o mercado já começa a discutir a possibilidade de apagões e racionamentos minarem o crescimento da economia brasileira no pós-pandemia. 

Representando apenas 1,9% da matriz elétrica centralizada no Brasil, a energia solar responde por cerca de 3,5 gigawatts de potência instalada no país. Já a geração própria, como a instalação de painéis solares em telhados de casas ou prédios comerciais, tem capacidade de produção de até 6,5 gigawatts.

Tais números colocam o Brasil na 14ª posição no ranking de maiores produtores de energia nesta modalidade, segundo dados da  Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A entidade avaliou ainda que o setor seria um forte aliado na superação da atual crise hídrica. “Usinas solares de grande porte, contratadas em leilões, por exemplo, geram eletricidade a preços até dez vezes menores do que as termelétricas fósseis ou a energia elétrica importada dos países vizinhos”, afirmou o Presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk.

O ONS estima que a energia solar representará cerca de 2,4% da produção centralizada nacional até o fim de 2021. Somente a região Nordeste, que atualmente responde por 70% de toda produção nacional de energia solar, pode alcançar até 13,9 gigawatts por meio de novos empreendimentos e projetos já em desenvolvimento, afirma a Absolar. Um levantamento da entidade avalia ainda que o setor será responsável pela geração de  mais de 147 mil postos de trabalho neste ano. “No cenário brasileiro atual, a oportunidade da energia solar está diante de nós: com o esforço coletivo e a livre iniciativa da sociedade brasileira, o Brasil poderá avançar mais rápido na diversificação da matriz elétrica”, avaliou Koloszuk.

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